terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Rómulo de Carvalho


Com muito carinho, amizade e saudade...




Poema a Galileu

E em momentos controversos por que, nós professores, passamos, relembro:

Do Professor Rómulo de Carvalho:

Ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação.”


O Sonho comanda a Vida

Diário de Notícias - Ao fim de quase meio século e depois de ter sido uma bandeira de muitas gerações, a "Pedra Filosofal" sofreu um esmorecimento, mas ei-la de regresso ao nosso imaginário. O sonho volta a comandar a vida?

Rómulo de Carvalho - O êxito inicial foi grande, não pelo poema. Sou muito racionalista. Deveu-se sobretudo, ao facto de ter sido musicado e cantado.

DN - (…) mas talvez seja um dos casos raros em que as pessoas sentem os versos de uma canção. Ao escrever "Pedra Filosofal" não sabia que estava a interpretar o pensamento de muita gente?

R.C. - Ainda bem que sentiram o estímulo do poema, embora julgue que, para uma parte do público, a música foi o maior incentivo. Quanto ao esmorecimento na aceitação da "Pedra Filosofal" pode considerar-se, talvez, uma diminuição, porque a abertura à liberdade levou as pessoas a substituir umas coisas por outras novas.

(…)

DN - Liberdade a mais?

R.C. - São problemas insoluvéis. Dá-se liberdade aos homens porque precisam dela. Eles só por si não são capazes de a ter, saber tê-la. Por isso lhes é dada.

DN - Há homens a coarctar a liberdade dos outros. Não se lutou sempre pela liberdade?

R.C. - Pois é. Mas depois, como se usa essa liberdade? Mal.

In Jornal Diário de Notícias, Ano 131, nº 46006, 9 de Março, 1995


Do Poeta António Gedeão

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.



eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956






Longas manhãs, soalheiras tardes passámos a conversar, enquanto, eles, três, inseparáveis, brincavam, riscavam, discutiam ...


Já foi há 11 anos...

Muito aprendi e, ainda hoje, lendo, aprendo e relembro que tenho também:


Arma Secreta

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis da furalina.
Erecta, na torre erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.

chama-se AMOR, simplesmente


Lágrima de Preta





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